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quinta-feira, junho 19

Mau cheiro no corpo pode ser distúrbio ou simples reação química

IARA BIDERMAN 
Colaboração para a Folha de S.Paulo 
AMARÍLIS LAGE 
da Folha de S.Paulo 
Em uma sociedade perfumada e desodorizada como a nossa, às vezes é difícil definir e até reconhecer os cheiros produzidos por nosso corpo. Eles não são, necessariamente, algo a ser disfarçado com produtos de higiene, embora estes também tenham a sua função de transformar o que captamos por meio do bulbo olfativo em sensações agradáveis. 

Mas os odores corporais vão muito além da perfumaria. Eles são a expressão de substâncias químicas voláteis presentes no organismo, que podem tanto indicar a presença de algum distúrbio como gerar reações primitivas e não racionais de atração ou repulsa. 

Os especialistas conseguem explicar melhor os mecanismos de cheiros considerados desagradáveis, como a bromidrose (odor provocado pela ação de bactérias no suor). Já os odores corporais considerados agradáveis são mais difíceis de explicar. 

O cheiro do bebê, por exemplo, tem causas difíceis de definir, mas efeitos poderosos e sensíveis. Ele estimula a produção de oxitocina, "o hormônio do afeto e das relações doces e puras", de acordo com a endocrinologista Vânia Assaly, da International Hormone Society. Relacionada às contrações do parto e à produção de leite na amamentação, a oxitocina é responsável pela sensação de prazer que a presença de um bebê traz - sensação especialmente forte na relação da mãe com o filho, pois ela também identifica, pelo odor de sua cria, a própria identidade genética

Além disso, a reação aos odores tem fortes componentes subjetivos e culturais. A repulsa a determinado cheiro pode estar ligada à memória olfativa individual, que associa o odor a situações ruins vividas. Hábitos socioculturais podem, ainda, determinar o grau de aversão ou atração a certos cheiros. 

Características genéticas também podem fazer com que as pessoas tenham uma percepção diferente dos cheiros, diz Bettina Malnic, professora do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo). "Um estudo recente mostrou que pessoas com um gene que havia sofrido mutação consideravam agradável o cheiro da androesterona, substância derivada da testosterona e presente no suor e na urina. Já as com o gene normal achavam o odor desagradável.

Para entender melhor o que acontece com os odores corporais e por que exalamos diferentes cheiros, a Folha consultou especialistas de diferentes áreas - endocrinologistas, dermatologistas, nutricionistas e especialistas em perfumes, entre outros. Leia a seguir suas explicações para dúvidas sobre os cheiros do corpo. 

Todo suor tem cheiro? 
Apenas o suor produzido pelas glândulas apócrinas causa mau cheiro. Este ocorre quando as bactérias naturalmente presentes na pele entram em contato com as proteínas e gorduras que fazem parte da composição desse suor, causando o odor desagradável conhecido como bromidrose. 

Por que os adolescentes costumam ter odores corporais mais acentuados? 
A partir da puberdade, começam os primeiros picos de esteróides –hormônios sexuais produzidos inicialmente na glândula supra-renal e depois nos ovários e nos testículos. Essa mudança hormonal também faz com que as glândulas sudoríparas apócrinas, até então inativas, comecem a funcionar. Localizadas nas axilas e na região genital, essas glândulas produzem o tipo de suor que, em contato com as bactérias da pele, causam o mau cheiro. 

Mulher tem cheiro diferente de homem? 
Na mulher, os odores corporais oscilam em relação ao ciclo menstrual. Há fases que propiciam o aumento de uma bactéria natural da flora vaginal e do ácido lático, protetor da vagina. As secreções produzidas nesse período têm um odor típico, diferente do produzido em outras fases, mas que é normal. No homem, a maior concentração de androsterona (substância derivada da testosterona) no suor e na urina causa um odor característico. 

O cheiro interfere na atração sexual? 
Teoricamente, a mulher na fase fértil pode transmitir um cheiro que informa ao homem que está mais receptiva ao sexo. Estudos também sugerem que elas seriam capazes de identificar, pelo "cheiro", homens com perfil imunológico complementar ao delas. Esse seria o odor dos feromônios, substâncias ligadas ao reconhecimento sexual. Trata-se de um mecanismo comprovado entre os animais mamíferos, que garante filhos mais fortes. 
Em humanos, o tema é polêmico. Isso porque a identificação dos ferômonios é feita por uma estrutura chamada órgão vomeronasal. Embora nós tenhamos essa estrutura, acredita-se que ela seja só um resquício de nossos ancestrais, sem função atual. 

Existe cheiro de bebê? 
O suor do bebê vem das glândulas écrinas e, portanto, não produz cheiros perceptíveis. Mas há um odor de bebê, difícil de definir, que cada mãe consegue identificar como o de seu próprio filho. 
O provável cheiro de bebê é relacionado às sensações causadas pela oxitocina - -hormônio em que a mulher fica como que embebida na relação de cuidado e amor com sua prole. Uma grande quantidade de oxitocina é liberada durante o trabalho de parto e a amamentação. O hormônio é detectado por receptores do centro emocional do cérebro, o sistema límbico, e produz sensações de conforto e prazer. Pesquisas apontam que a oxitocina tem um papel central na criação de vínculos entre a mãe e sua prole. 

Por que perfumes "pegam" mais em algumas pessoas? 
A fixação do perfume varia de acordo com o tipo de pele. Ele se fixa melhor nas peles oleosas do que nas secas. Quando o extrato córneo (superfície da pele) é mais grosso, a fixação é menor. Em quem sua muito, o perfume também se fixa menos: o suor dilui as essências antes de elas penetrarem na pele. 

Os odores corporais mudam com o tempo? 
No envelhecimento, a diminuição da produção dos hormônios sexuais faz com que os odores corporais sejam diferentes. A alteração dos níveis de líquidos corporais também pode influenciar o cheiro. Além disso, podem surgir odores relacionados a doenças específicas, mais prevalecentes na população mais velha.


domingo, dezembro 8

Você fuma?

Se você respondeu sim, saiba que isso não é legal!

Porque você fuma meu bom rapaz??
Fuma pra "tirar onda"?
Então fique sabendo que você não está abalando as estruturas só porque está com um cigarrinho na boca!

Citar:
"Pesquisa nacional mostra que 92% das mulheres não fumantes não se relacionam com homens que fumam."

Você fuma porque é viciado ?
Então chegou a hora de parar né meu caro ?
Procura um médico!

Tá certo, não sou seu pai nem sua mãe para ficar te dando conselhos, mas faço questão de abrir seu olho quanto ao cigarro!

Componentes do cigarro
Acetaldeído - Produto metabólico primário do etanol na sua rota de conversão a ácido acético. É um dos agentes responsáveis pela ressaca.
Acetona - Solvente inflamável.
Ácido cianídrico - Cianeto hidrogenado extremamente venenoso devido à habilidade do íon em se combinar com o ferro da hemoglobina, bloqueando a recepção do oxigênio pelo sangue. Mata por sufocamento.
Acroleína - Composto que possui odor e sabor amargo obtido pela desidratação da glicerina por bactérias.
Alcatrão - Resíduo tóxico cancerígeno que colabora com o vício do mesmo e obstrui as vias respiratórias.
Amoníaco - Composto químico usado em produtos de limpeza.
Arsênico - Composto extremamente tóxico, veneno puro.
Benzopireno - Substância cancerígena que facilita a combustão existente no papel que envolve o fumo.
Butano - Gás incolor, inodoro e altamente inflamável.
DDT - Agrotóxico.
Dietilnitrosamina - Composto que causa lesão hepática grave.
Fenol - Ácido carbólico corrosivo e irritante das membranas mucosas. Potencialmente fatal se ingerido, inalado ou absorvido pela pele. Causa queimaduras severas e afeta o sistema nervoso central, fígado e rins.
Formol - Formaldeído, componente de fluído conservante, que causa irritação dos olhos, nariz, garganta e pele, mutagênico e carcinogênico suspeito.
Mercúrio - Causa dor de estômago, diarréia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência.
Metais pesados - Chumbo e cádmio. Causam a perda de capacidade ventilatória dos pulmões, além de dispnéia, fibrose pulmonar, hipertensão, câncer nos pulmões, próstata, rins e estômago
Metanol - Álcool metílico usado como combustível de foguetes e automóveis.
Monóxido de carbono - Gás inflamável, inodoro e muito perigoso devido à sua grande toxicidade por formar com a hemoglobina do sangue um composto mais estável do que ela e o oxigênio, podendo levar à morte por asfixia.
Naftalina - Substância cristalina branca, volátil, com odor característico antitraça.
Nicotina - Alcalóide usado como herbicida e inseticida com cheiro desagradável e venenoso, que constitui o princípio ativo do tabaco. Provoca cancro nos pulmões devido à metilização.
Níquel - Armazenam-se no fígado e rins, coração, pulmões, ossos e dentes - resultando em gangrena dos pés, causando danos ao miocárdio etc..
Pireno - Hidrocarboneto aromático cancerígeno.
Polônio - Elemento altamente radioativo e tóxico e o seu manuseio requer a utilização de equipamento especial usado com procedimentos restritivos.


Nada legal heim ??

sábado, março 30

SOLUÇÃO: UNHAS QUEBRADAS

Não existe coisa pior do que quebrar a unha não é mesmo? Além de doer horrores ainda temos que cortar todas as outras… E geralmente é quando temos uma festa. Como recuperar unhas quebradas? É super fácil! Olha só! (a imagem não ficou das melhores, mas passa a informação direitinho)

Tudo que você vai precisar é:


* 2 pedacinhos de papel higiênico picotados (próximo ao tamanho do “corte” na unha).
* 1 lixa para unhas
* cola super bonder (usei cola de isopor)
* algum objeto para ajudar a fixar o papel na cola (pinça, palito, espátula de unha…)

Passo a Passo:

1. Com a unha limpa e sem esmaltes, de uma lixada em cima de onde quebrou, para ela ficar mais liso.
2. Passe a cola em cima de onde a unha quebrou (de ponta a ponta)
3. Pegue um pedacinho do papel e coloque em cima da cola.
4. Vá ajeitando o papel cuidadosamente com algum objeto tipo pinça, palito… isso além de ajudar o papel a fixar corretamente, ainda evita que você cole o dedo.
5. Repita o processo mais uma vez: coloque a cola, o papel e vai ajeitando.
6. Espere um pouquinho até que a cola seque. Retire o excesso de papel nos cantos (molhe o papel para facilitar, ele vai se desmanchando sozinho)
7. Agora é só “moldar” a unha com a lixa. Tire os excessos do lado e lixe em cima da unha também, deixando tudo uniforme.

Se a cola vazar e o papel colar no dedo, passe um palito em baixo da unha e vá descolando delicadamente, do centro da unha para os cantos, depois molhe e tire o excesso com a ajuda de um alicatinho de unhas. Aí é só pintar e pronto!!!

Beijos,

sexta-feira, março 29

Arquimedes e as Alavancas

Arquimedes teve a necessidade de lançar ao mar uma nau de quatro mil toneladas. A príncipio, pareceu-lhe impossível, mas logo depois teve a ideia de utilizar várias roldanas e calculou um ponto de apoio perfeitamente e com isso conseguiu com que uma pressão “insignificante” erguesse um peso maior em toneladas!
Quando Arquimedes descobriu sobre as alavancas,ele fez sua famosa citação:
“Dai-me um ponto de apoio e levantarei o mundo”
As alavancas são uma invenção simples que usamos para deslocar objetos e fazer pequenos movimentos. Uma alavanca é uma barra ou braço que move em torno de centro para produzir movimentos. Os tipos que podemos obter são as alavancas para, alterar a direção de uma força, também aplicar uma força à distância, alavancas que aumentam uma força e outras alavancas para aumentar um movimento. Em uma alavanca é possível observar três pontos: resistência (quem recebe a força), apoio e potência (quem faz a força).
Podemos dividir em:

Inter-fixa: Quando o ponto apoio está entre a aplicação da força potente e a aplicação da força resistente, como a tesoura.
Inter-potente: Quando é quando a aplicação da força potente está entre a aplicação da força resistente e o ponto de apoio como o ”cortador de unha”
Inter-resistente: Quando a aplicação da força resistente está entre a aplicação da força potente e o ponto de apoio, como exemplo abridor de lata.
Você sabia que as alavancas são mais do que comuns no nosso cotidiano e até são encontrados no nosso corpo?
Sim, isso mesmo. Quando nós levantamos algo com um dos braços (potência), nós estamos fazendo o papel de alavanca para esse objeto (resistência), sendo o cotovelo o ponto de apoio. Nós podemos ver exemplos de alavancas nas gangorras de parques para crianças, em tesouras, em um carrinho-de-mão, no remo de um barco, em um cortador de unha, abridor de garrafas, vassouras, martelos, abridores de latas, ou também nos nossos próprio braço ou pés, e em vários outros objetos que usamos ou vemos todos os dias.

A história de Arquimedes e a coroa do rei

Era uma vez em Siracusa, Grécia, um rei chamada Hierão, e um sábio, chamado Arquimedes.
O rei Hierão mandou fazer um coroa, de ouro puro. Após a coroa feita, o rei começou a desconfiar se o ferreiro tinha realmente feito a coroa com o ouro que ele mandou. Com essa duvida em mente, o rei convocou o sábio Arquimedes para descobrir se a coroa tinha sido feita com ouro puro, sem destruí-la.

Arquimedes voltou para casa, pensando em um modo de desvendar esse enigma. Com o problema na cabeça, foi tomar banho em sua banheira, quando notou que a água que transbordava era igual ao volume do seu corpo. Ao compreender esse fenômeno, ele saiu gritando “EUREKA”, que significa “encontrei” em grego, nú, nas ruas de Siracusa.
De volta ao palacio de Hierão, Arquimedes fez o teste final. Medindo o quantidade de água que transborda de um bloco de ouro, um de prata e a coroa, de massas iguais, ele constatou os blocos, por terem densidade diferente, transbordavam uma quantidade diferente de água.Arquimedes, desde modo, provou que a coroa era de uma mistura de Ouro e Prata.

E assim, foi descoberto o Principio de Arquimedes que diz: “Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.
A historia não acabou bem foi para o ferreiro…


Fontes Fiocruz, Wikipédia, USP, YouTube, efisica

Sabia que Aristóteles atrasou a ciência em quase 2000 mil anos?

No século 4 a.C, o filósofo grego Aristóteles criou as bases do pensamento lógico. Infelizmente, ele não aplicou a lógica na hora de fazer ciência, e decretou uma série de besteiras em áreas tão variadas como a botânica e a física. Graças à sua autoridade intelectual, seus erros atrasaram a ciência em cerca de 2 mil anos. "Principalmente porque muitas das ideias dele foram abraçadas pela Igreja Católica", afirma o físico Cláudio Furukawa, da USP. O Aristóteles "cientista" dizia, por exemplo, que o Sol girava em tomo da Terra. O Vaticano não só adotou a tese como ainda ameaçou mandar para a fogueira quem tentasse provar o contrário, como o italiano Galileo Galilei. no fim do século 17.0 tempo deu a Galileo a reputação de pai da ciência moderna. E Aristóteles teve de se contentar com a lógica mesmo.

Fonte: Mundo Estranho, abril de 2008.

quinta-feira, março 21

segunda-feira, março 11

A Geometria do Amor

Alguns analistas e uns poucos pacientes como eu, acham que a matemática explica muito das relações amorosas. A geometria então, nem se fala. Prova é que muitas situações, normalmente embaraçosas, são identificadas com nomes técnicos da geometria. Querem ver?

terça-feira, outubro 2

A Química na Educação da Princesa Isabel

Este é apenas um pequeno resumo de todo artigo que fiquei tão absorvida em ler, não apenas pela química, que fui adicionando trechos deixando a postagem longa, mas se desejar ler o artigo completo click aqui. O artigo traz um pouco da História do nosso país e das Estórias da Família Real no Império.

Carlos A. L. FilgueirasDepartamento de Química Inorgânica, Instituto de Química,
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Quim. Nova, Vol. 27, No. 2, 349-355, 2004

Em 15 de outubro de 1827 o Imperador D. Pedro I sancionou uma lei que mandava, em seu artigo primeiro, criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. A mesma lei, no artigo 11, dizia que haverão escolas de meninas nas cidades e vilas mais populosas, em que os Presidentes em Conselho julgarem necessário este estabelecimento. O parágrafo seguinte delimitava cuidadosamente os limites da educação a ser dada às meninas que a ela tivessem acesso, com exclusão das noções de geometria e limitando a instrução de aritmética só às quatro operações; ensinarão também as prendas que servem à economia doméstica. A educação pública ministrada aos jovens brasileiros, apesar de exígua, ainda era mais limitada quando se tratava das poucas meninas a conseguir acesso aos bancos escolares. Ainda assim, frequentemente os pais tiravam as filhas da escola mal elas aprendiam a costurar, evitando que aprendessem a ler, escrever e contar.
O Ato Adicional à Constituição do Império, em 1834, viria a atribuir às províncias a responsabilidade da educação pública. Essa descentralização, naquele momento histórico, teve como consequência condenar as províncias mais afastadas da capital do Império a uma situação de abandono educacional, piorando uma situação que já era ruim.
A educação particular feminina pouco diferia do quadro da educação pública. Por isso o Colégio Augusto, fundado no Rio de Janeiro em 1838, por Nísia Floresta, dividiu opiniões e causou polêmicas, ao instituir uma educação feminina completamente inusitada para aquela sociedade.
[...]

Ao defender o livre acesso das mulheres ao mercado de trabalho diz: Se se instituísse uma classe pública de operárias em toda sorte de trabalhos, oferecer-se-ia a uma parte das famílias desvalidas do Brasil não somente um meio seguro de as livrar da miséria, mas ainda de habilitá-las para um futuro que não está longe.

O Colégio Augusto de Nísia Floresta funcionou no Rio de Janeiro durante 17 anos. Lá se ensinavam várias línguas, como o francês, o inglês e o italiano, além da geografia e a história, bem como a educação física. Ela também condenava o uso do espartilho e limitava o número de alunas a poucas por turma, como garantia da qualidade do ensino. A sociedade conservadora não poupava farpas a Nísia ao ver sua audácia de fazer meninas “invadir” o universo masculino. O jornal carioca O Mercantil escrevia ferinamente em 1847: trabalhos de língua não faltaram: os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos.
Opinião oposta foi a do Núncio Apostólico, Monsenhor Giacomo Bedini, ao assistir embevecido os exames anuais de línguas e literaturas estrangeiras, quando foi saudado em italiano e ouviu as alunas a declamar versos de autores italianos e latinos.
[...]

Apenas um colégio privado ensinava ciências a moças. Ele era dirigido por uma professora inglesa, Mrs. Hitchings, e lecionava Astronomia, Botânica, Física Elementar e uso dos globos. Curiosamente, quando se menciona o ensino de História nos colégios, é sempre a História Antiga e Moderna, nenhum deles tratando da História do Brasil.

O Brasil de meados do século 19 era, segundo já se disse, uma ilha de letrados num mar de analfabetos. Em 1872 apenas 18,56% da população era alfabetizada, dos quais 23,43% eram homens e 13,43% mulheres. Entre os escravos o analfabetismo era praticamente total, chegando a 99,9%. Até o fim do Império só havia sete escolas superiores no país: as Faculdades de Direito de São Paulo e Recife (1828), as de Medicina de Salvador e do Rio (1808), a Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1874, embora remontando a 1792 com outros nomes), a Faculdade de Farmácia de Ouro Preto (1839) e a Escola de Minas nessa mesma cidade (1876).
[...]

Não havia no Império sequer a permissão legal para que mulheres frequentassem cursos superiores. Por isso, a primeira brasileira a se formar em Medicina, a carioca Maria Augusta Generoso Estrela, teve que realizar seu curso em Nova Iorque, diplomando-se pelo New York Medical College and Hospital for Women em 1881, com uma tese sobre Dermatologia, com a distinção de ter sido selecionada para oradora da turma. Durante seus estudos Maria Augusta perdera o pai, o que levou o Imperador, em janeiro de 1878, a conceder-lhe uma pensão anual de 1:500$000. Esta foi a primeira bolsa de estudos recebida por uma brasileira para a realização de estudos universitários. A partir de 19 de abril de 1879, com a Reforma Leôncio de Carvalho, conferiu-se a liberdade e o direito da mulher de frequentar cursos das Faculdades, de obter um título acadêmico. Em consequência da nova lei, matriculou-se em 1884 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a jovem estudante gaúcha Rita Lobato Velho Lopes, a primeira brasileira a colar grau num curso superior no Brasil, o que ocorreria em 10 de dezembro de 1887.


O Imperador D. Pedro II teve quatro filhos: D. Afonso (1845-1847), D. Isabel Cristina (1846-1921), D. Leopoldina Teresa (1847-1871) e D. Pedro Afonso (1848-1850). Com as mortes prematuras dos dois varões, Isabel tornou-se a herdeira oficial do trono ao completar 14 anos, fazendo o juramento solene à Constituição do Império perante o Senado Imperial. A partir daí passou a ter o título de Princesa Imperial.

Desde cedo o Imperador se preocupava com a educação das filhas. Em 1853 ele tentou, em vão, fazer com que sua madrasta, a Imperatriz viúva D. Amélia, voltasse de Portugal para assumir o encargo de preceptora das princesas. Com a recusa da ex-Imperatriz, D. Amélia é então encarregada pelo enteado de procurar na Europa alguém com as seguintes características: alemã, católica romana e religiosa, viúva e sem filhos, melhor maior de 40 anos, sem pretensões…, sem interesses na Europa, falando bem as línguas mais usadas, entendendo o português ou que venha depois de saber alguma coisa dele, para não estar sem ocupação quando aqui chegar, tendo gênio dócil e maneiras delicadas, e conhecendo perfeitamente os diversos misteres em que as senhoras passam as suas horas vagas. Quanto à instrução não exijo muito porque minhas filhas hão de ter mestres. O rígido figurino desenhado pelo Imperador para a preceptora desejada resultou em nada.
[...]

O regime de estudos das princesas era de uma severidade impressionante. Elas tinham aulas 6 dias por semana, das 7 h da manhã às 21h30m, com pouquíssimos intervalos para recreação. O próprio Imperador determinou: as visitas que procurarem as Princesas serão recebidas unicamente aos domingos, nas festas de guarda e nacionais, nos dias de seus anos, nos dos nossos, nos de seus nomes e nossos, e em qualquer outra ocasião que eu determinar — à exceção dos criados de honra e de serviço. Só haverá férias em Petrópolis, onde talvez seja alterada a distribuição do tempo. O currículo compreendia cerca de duas dezenas de matérias, entre as quais português e sua literatura, francês, inglês, italiano, alemão, latim (cujo professor era às vezes o próprio imperador), grego, álgebra, geometria, química, física, botânica, várias disciplinas de história, divididas por país e por época, cosmografia, desenho e b, piano, filosofia, geografia, economia política, retórica, zoologia, mineralogia, geologia, etc. Boa parte das aulas era dada em francês, assim como esta era a língua em que eram redigidos os horários das aulas e os boletins escolares.

A respeito do rigor da educação de suas filhas escreveu o Imperador: o caráter de qualquer das Princesas deve ser formado tal como convém a Senhoras que poderão ter que dirigir o governo constitucional de um Império como o Brasil. A instrução não deve diferir da que se dá aos homens, combinada com a do outro sexo: mas de modo que não sofra a primeira. Convirá conformar-se, quando for de proveito, aos regulamentos da instrução pública primária e secundária. Poderá impor castigos, e quando forem leves, sem meu conhecimento prévio, devendo minhas filhas não saber [ilegível] que o tenho, quando isto não for conveniente, sendo o maior deles a reclusão em um dos quartos dos respectivos aposentos, assim como representar-nos, mesmo perante nossas filhas, sobre a justiça da concessão de algum prêmio. A tudo isso deveria presidir, como supervisora, a preceptora contratada, a Condessa de Barral.

À insinuação preconceituosa de que estava proporcionando a suas filhas uma educação de homem, especialmente no caso de Isabel, apressou-se a escrever-lhe de Paris sua irmã D. Francisca, Princesa de Joinville: acho que fazes bem de dar uma educação de homem a sua filha mais velha, sobretudo que é provável que seja quem venha a governar o país, o que espero seja o mais tarde possível. Apesar disso, D. Francisca achava que o regime de estudos idealizado por seu irmão para as filhas era por demais draconiano e lhe escreveu em 1858: Toma bem sentido de não as cansar muito e que lhes não falte recreação no meio do trabalho. Quatro anos depois, insistia ainda D. Francisca: Temo bem não cansares demais a inteligência. Espero que [Isabel] tenha horas de passeio e alguns intervalos entre as lições para que possa se descansar. Isso é muito importante para a saúde, que sem ela nada é possível fazer-se de verdadeiro trabalho intelectual.
O Imperador, todavia, confidenciou a seu diário: o estudo, a leitura e a educação de minhas filhas, que amo extremadamente, [são] meus principais divertimentos.
[...]

Vários professores lecionaram para as princesas: entre estes, podem-se citar Cândido Batista de Oliveira, de Geometria, Francisco de Paula Cândido, de Física, Cândido José de Araújo Viana, Visconde (em 1854) e Marquês (a partir de 1872) de Sapucaí, de Literatura, que havia também ensinado ao imperador, Guilherme Schuch de Capanema, de Mineralogia e Geologia, Freire Alemão, de Retórica, e vários outros. Os fotógrafos Revert Henri Klumb e Marc Ferrez lecionaram Fotografia. Francisco Ferreira de Abreu, médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, doutor pela Universidade de Paris e futuro Barão de Teresópolis era médico da Imperial Câmara e lente de Medicina Legal na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ferreira de Abreu foi professor de Física e Química das princesas. Poder-se-ia cogitar se aqui também entraria o nome de Alexandre Antônio Vandelli, filho do antigo introdutor da Química moderna na Universidade de Coimbra e genro de José Bonifácio de Andrada e Silva. Vandelli havia sido professor de ciências do próprio D. Pedro II. À época de que trata o presente relato, Vandelli já era homem idoso, vindo a falecer em 1859, quando Isabel só contava 13 anos. Portanto sua contribuição para a educação das princesas só pode ter ocorrido quando elas eram ainda muito jovens.
[...]

Freqüentemente, como se lê nos documentos, o próprio D. Pedro II se encarregava de tomar as lições às filhas. Numa folha solta com a data de 28 de novembro de 1862 Isabel, aos 16 anos, escrevia (ou copiava, não se pode precisar) um texto que mencionava uma nova ideologia nascida havia poucos anos na Europa:
Bom Uso das Riquezas

Ricos da terra que ela julga felizes e que talvez sois desgraçados, porque receais vós que o comunismo venha a estabelecer-se e a roubar-vos as vossas riquezas? Fazei delas o uso que deveis fazer, e não tereis nada a recear nem para este mundo das ilusões, nem para o outro das realidades.
Os textos tratando de Química encontrados no acervo do Arquivo tratam apenas de Química Inorgânica, não havendo nada de Química Orgânica, o ramo da Química que havia desabrochado com grande força e se encontrava em franco desenvolvimento na Europa. Nos assuntos tratados, os textos refletem fielmente a ciência da época, que era dominada pelo conceito de equivalente, na ausência de uma distinção clara entre átomo e molécula. Esta distinção só veio a se firmar após o Congresso de Karlsruhe, ocorrido em 1860 na Alemanha, quando o químico italiano Angelo Pavesi distribuiu entre os presentes um texto de Stanislao Cannizzaro, em que este mostrava como a esquecida hipótese de Avogadro poderia muito bem sanar a questão. O alemão Lothar Meyer ficou profundamente impressionado com a forma como os conceitos de Avogadro simplificavam a Química e, a partir de seu famoso livro Die modernen Theorien der Chemie, publicado em 1864 (ano em que terminou a educação formal das princesas brasileiras) e logo traduzido em várias línguas, teve um papel de grande importância na disseminação das novas idéias. A Química ensinada à
Isabel, naturalmente, era de um teor anterior a todas essas inovações.
[...]

Por isso se vê uma interessante Lista de Pesos Equivalentes, também reproduzida nas Notas, em que estão presentes implicitamente as dificuldades da época nas determinações quantitativas. Mais interessante ainda é um exercício em que Isabel se esforçava em aprender a balancear equações químicas segundo as convenções da época. Lembrando que até então a fórmula molecular aceita para a água era HO e os índices se escreviam acima, e não abaixo dos símbolos dos elementos, como hoje, aqui estão as equações, inicialmente na grafia original e, em seguida, em versão moderna.
[...]

terça-feira, maio 15

As 100 melhores Leis de Murphy

  1. Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
  2. Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos.
  3. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
  4. Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.
  5. Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão - ou a que causar mais prejuízo.
  6. Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada.
  7. Seja qual for o resultado, haverá sempre alguém para: a) interpretá-lo mal. b) falsificá-lo. c) dizer que já o tinha previsto em seu último relatório.
  8. Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora.
  9. Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.
  10. Toda vez que se menciona alguma coisa: se é bom, acaba; se é ruim, acontece.

domingo, abril 29

Curiosidade: Bom Samaritano e Boi na linha

Bom Samaritano
Fonte: Guia dos Curiosos

A expressão “bom samaritano” veio de uma passagem da Bíblia, em Lucas 10:25-37, em que um homem, que se diz muito entendido nas leis de Deus, pergunta a Jesus o que é preciso fazer para entrar no Reino dos Céus. Então, Jesus conta uma parábola sobre um homem que seguia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de ladrões. Os bandidos roubaram suas roupas e bateram tanto no coitado que ele quase morreu. Um padre passava pela estrada e, ao ver o homem, desviou do caminho. Um levita, que vinha pelo mesmo lugar, mudou de direção. Até que apareceu um samaritano, que ficou com pena do homem. Ele fez curativos em suas feridas com óleo e vinho. Depois, colocou o pobre em seu burrico, levou-o para uma pousada e lá cuidou dele. Para Jesus, quem ajuda seu vizinho teria passaporte garantido para o céu. Naquela época, os samaritanos não eram vistos com bons olhos pelos judeus, pois formavam um grupo dissidente da comunidade judaica, que incluía rituais pagãos em sua prática religiosa. Na verdade, Jesus queria mostrar que deveríamos considerar todos como nossos “vizinhos” e ajudá-los, deixando as diferenças de lado.

Boi na linha

A primeira estrada de ferro do Brasil foi construída pelo Barão de Mauá e ia de Raiz da Serra à Petrópolis. O projeto não previa a colocação de cercas ao redor dos trilhos, por isso é comum que rebanhos de bois cruzassem ou até deitassem nas linhas. Isso obrigava os ferroviários a pararem a máquina para expulsar os animais do caminho. Por isso surgiu a expressão “tem boi na linha

Por que, na matemática, o símbolo de infinito é um oito deitado?

Por que quando estamos em pé, mas com o tronco do corpo tombado, as pessoas dizem "foi assim que Napoleão perdeu aguerra"?
Porque quando o exército de Napoleão estava voltando da Rússia, os soldados estavam tão exaustos e havia tanto gelo que eles mal conseguiam andar. Fatigados, eles acabavam tombando na neve, com as pernas e o tronco formando um ângulo de 90 graus.

Ficou curioso? Leia essa muitas outras curiosidades no "Guia dos Curiosos: O Livro das Perguntas e das Respostas".
Download: scribd ou pdf.

Veja mais uma curiosidade:

Por que, na matemática, o símbolo de infinito é um oito deitado?
O símbolo que indica o número infinito foi proposto por John Wallis em 1655 em seu tratado Des Sectionibus Conicis. Nele, o autor declarou: “Isto pois denota o número infinito”. Seu formato, um oito deitado, é inspirado na antiga notação romana do 1000.


E mais:
Como os faraós eram embalsamados? 
O corpo de Cleópatra foi enterrado em alguma pirâmide do Egito? 
Qual era a capacidade de transporte dos navios negreiros? 
Qual era a diferença entre piratas e corsários? 
O que é a aurora boreal, onde e quando ela acontece? 
Por que a gente sonha? 
Por que acordamos com o rosto inchado? 
Por que as grávidas sentem vontade de vomitar? 
Como surgiu o nome Alá? 
O que é Pentecostes? 
Por que as pessoas rezam ajoelhadas e com as mãos unidas? 
Como as ostras fabricam as pérolas? 
As aves fazem xixi? 
Quantos anos vive um urubu?

domingo, março 25

Animação 3D – Oxigênio


Para nossa primeira viajem ao mundo da química escolhi esta animação, eis que surge “Oxigênio” resultado do trabalho de tese de Christopher Hendryx para o departamento de Informática e Animação da Ringling College of Art + Design. belo trabalho por sinal, nessa animação nosso amigo oxigênio brinca com seu amiguinhos da tabela periódica…e faz suas ligações químicas. Muito bem bolada. O rapaz tem futuro nos resta ficar de olho na sua carreira e em suas próximas animações, de momento curtam “Oxigênio”.

sexta-feira, setembro 16

Química no corpo: Tatuagens


Histórico:
As tatuagens são datadas de mais de 3500 anos atrás, nessa época sua utilização se fazia para expressar a personalidade do indivíduo ou da tribo a que ele pertencia (pessoas com mesmas características sociais e religiosas). Os primeiros homens usavam tatuagens para marcar fatos de sua vida biológica (nascimento, reprodução, morte), social (se tornar um guerreiro, líder, prisioneiro) e também para fins místicos e religiosos (pedir proteção, garantir a vida do espírito mesmo após a morte do corpo).
Durante a era Cristã e a era moderna, a tatuagem passou por uma marginalização, sendo proibida pela igreja católica. Apenas na segunda metade do século XX a tatuagem incorporou novamente seu significado, tornando-se novamente um símbolo de personalidade e ousadia.
Não se sabe exatamente qual foi a tribo ou mesmo em qual região surgiu a tatuagem, pois ela foi inventada várias vezes em momentos diferentes, utilizando técnicas e materiais variados.

No Brasil a técnica da tatuagem foi introduzida pelo dinamarquês Knud Harald Lucky Gegersen, conhecido popularmente como Lucky ou Mr. Tattoo. Lucky chegando ao Brasil se instalou em Santos onde trabalhava com tatuagens usando suas técnicas de desenhista e pintor profissional. Mesmo após a sua morte Lucky ainda continuou sendo considerado o único tatuador do país, até que aos poucos começaram a aparecer seus seguidores, que usavam suas técnicas para fazer tatuagens.

Mas afinal, onde a química entra nessa história?

Existem basicamente dois tipo de tatuagens: as definitivas e as temporárias.

As tatuagens definitivas são feitas a partir de uma técnica que consiste em introduzir na derme com auxílio de agulhas, pigmentos que ficam retidos nas células da pele. Os pigmentos mais comuns e suas cores específicas estão relacionados a seguir:

Pigmento Cor

Sais de cádmio …………………………………………. Amarelo ou vermelho
Sais de crômio …………………………………………. Verde
Sais de ferro …………………………………………… Castanho, rosa e amarelo
Sais de cobalto ………………………………………….. Azul
Sulfeto de Mercúrio …………………………………….. Preto
Carbono (carvão) ………………………………………. Preto
Óxido de Titânio ………………………………………… Branco

Os metais (presentes nos sais e óxidos) citados acima são componentes de um grupo da tabela periódica chamados de ‘elementos de transição’ e devido a suas estruturas, apresentam numerosos íons e complexos coloridos. A cor pode mudar entre diferentes compostos de um mesmo elemento.

E como a tinta da tatuagem fixa na pele?

Como dito anteriormente, as tintas usadas para tatuar são aplicadas na derme e podem ser vistas graças à transparência da epiderme que a recobre. Nessa camada, os pigmentos permanecem estáveis, ou seja, não são metabolizados pelo organismo e são insolúveis. Por isso, o pigmento não caminha para outras regiões do corpo.

As tatuagens definitivas só podem ser removidas através de laser, um processo doloroso em que o resultado final não é muito satisfatório, pois no lugar da tatuagem fica uma cicatriz.
Já as tatuagens temporárias (mais conhecidas como tatuagens de henna), são tatuagens de cor marrom ou ferrugem, feitas a partir de uma planta encontrada na Índia e em países do Oriente Médio chamada ‘Henna lawsonia inermis’. Os desenhos são feitos colocando o material sobre a superfície da pele.

É necessário que se tome muito cuidado ao utilizar essa técnica para tatuagem, pois em alguns casos são adicionados chumbo e mercúrio (elementos altamente tóxicos ao organismo) à pasta de henna para que a coloração do desenho fique mais escura, também chamada de henna negra, e seja mais duradoura.
Também são adicionados para obter o mesmo efeito elevadas concentrações de corantes. Estes ingredientes podem ter origens naturais como índigo, corantes sintéticos ou minerais. A Parafenilenodiamina ou PPD é uma substância muito conhecida como aditivo da henna para obtenção de tintas capilares mais escuras ou nos casos de arte corporal, para alcançar um efeito mais rápido e uma cor negra mais intensa. Outros corantes, tal como carmim (ou azo-compostos do ácido picrâmico), 2,5-toluenodiamina, 2,5-toluenodiaminosulfato e pirogalol, bem como nitrato de prata e nitrato de crómio, têm também sido referidos e detectados na pasta de henna negra.
A muitos destes aditivos tem sido atribuído a causa de reações alérgicas e reações inflamatórias crônicas.

Por esses motivos, além do cuidado que se deve ser tomado quanto aos materiais utilizados para a confecção da tatuagem (agulhas esterilizados, ambiente limpo, etc) é extremamente importante levar em consideração que os metais de transição utilizados para a pigmentação (tanto das tatuagens definitivas, quanto para a obtenção negra das tatuagens temporárias) são metais pesados que tendem a acumular no corpo durante a vida, podendo acarretar em complicações alérgicas, tóxicas e até mesmo letais.
Tomando todos esses cuidados e encontrando um profissional confiável, o resultado pode ser belo, satisfatório e saudável para quem quer fazer sua tatuagem.
Fonte: Toda Teoria
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